Para quem mora longe de uma universidade ou não pode ir à aula todos os dias, a Educação a Distância (EAD) parece ideal. Por isso, ela tem conquistado tanto espaço. A modalidade de ensino usa ambientes virtuais, chats, fóruns e e-mails para unir professores e turmas. É preciso conhecer informática e dispor de um computador com internet rápida para poder participar, com acesso a videoconferências, por exemplo.

As experiências no ensino a distância no Brasil começaram no início do século 20, com cursos profissionalizantes por carta, rádio e, mais tarde, pela TV. O ensino a distância, via computador, existe há apenas cerca de dez anos. Hoje, quando se fala em EAD pensa-se em internet.

Um estudo de 2007 comparou os resultados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade/2006) nas modalidades presencial e a distância. Das 13 áreas em que a comparação foi possível, os de EAD se saíram melhor em sete: Pedagogia, Biologia, Física, Matemática e Ciências Sociais, além de Administração e Turismo, o que demonstrou que as aulas a distancia podem ser tão boas quanto as presenciais.

Apesar do crescimento da oferta de EAD, ainda há preconceito com relação a esse tipo de curso, o que pode ser explicado pelo pouco tempo de sua existência. A legislação, contudo, não faz distinção no que se refere ao ensino presencial e a distância. A lei garante que nos certificados do Ensino Superior não venha especificado que a formação foi feita a distância.

O importante é avaliar as opções antes de se decidir. Na hora da escolha, valem os mesmos cuidados que se deve ter com os cursos presenciais. Afinal, não é porque você não precisa se preocupar com a distância que vai se matricular em qualquer faculdade, certo? Outra medida importante é verificar se a instituição está credenciada, se é reconhecida e se já foi fiscalizada.

De acordo com a Associação Brasileira de Ensino a Distância, ABED, 54% das instituições que oferecem cursos a distância declararam que a maioria dos matriculados tem mais de 30 anos. Em geral os mais jovens não atingiram o nível de maturidade, comprometimento e responsabilidade que o planejamento de estudos da modalidade requer. De fato, é necessária muita disciplina. Não se pode deixar o material de leitura acumular. Se isso ocorre, fatalmente não se consegue aprender o conteúdo, perceber onde se tem dificuldade para pedir ajuda ou mesmo acompanhar as discussões nos momentos em que toda a turma está reunida por meio de chats e videoconferências.

O fato de os cursos a distância serem normalmente mais baratos que os presenciais, porém, o ideal é fazer um levantamento de todos os gastos relacionados antes de efetuar a matrícula. Segundo a ABED, a questão financeira é citada como um dos motivos de abandono por 48,5% dos graduados e 30,4% dos pós-graduandos que evadiram.

O tempo de duração dos cursos é o mesmo que na modalidade presencial. Os diplomas de graduação e pós-graduação, sejam eles presenciais ou a distância, são equivalentes. Quem acha que a faculdade a distância é mais fácil pode acabar se frustrando com o grau de dificuldade que se apresenta e não seguir adiante. O nível de exigência das provas, que são discursivas, é o mesmo das aplicadas nas faculdades presenciais. Muitas vezes, elas se tornam ainda mais difíceis pelo acúmulo de conteúdos cobrados. Num curso de qualidade, também é avaliado o conhecimento sobre materiais complementares disponíveis na internet. O MEC determina que as provas devam ocorrer nos polos presenciais, sob o olhar dos tutores da turma. Se as provas fossem feitas em casa, as chances de fraude seriam enormes. Além das provas, as boas instituições pedem, em média, dois trabalhos por semana, com hora limite para a postagem na rede.

A evasão ocorre quando não há dedicação. Se as tarefas não são feitas em uma semana, na próxima é necessário correr muito para acompanhar. Quem não consegue colocar os estudos em dia desiste. Num bom programa a distância, definitivamente não se estuda apenas quando se quer. Para acompanhar as discussões sobre os conteúdos, é necessário traçar uma rotina que inclua, todos os dias, leituras obrigatórias e complementares. Além disso, é necessário participar das discussões online, com os colegas, em horários fixos ou previamente marcados pelos tutores.

O MEC exige que sejam organizados momentos de convivência e interação entre os colegas nos polos presenciais, o que ocorre nas atividades complementares, obrigatórias por lei, como sessões de filmes, debates e encontros, e nas provas finais. As atividades em que todos devem estar online, e durante anos, os mesmos alunos seguem juntos, o que os aproxima – como em qualquer faculdade. As boas instituições incentivam a organização de grupos de estudo sobre temas específicos. Assim, os alunos aprofundam os conhecimentos trocando informações com os colegas, participando de chats e fóruns ou programas de troca de mensagens instantâneas (MSN). A interação com o professor pode se dar ainda por meio de webcam. A EAD se baseia também em videoconferências, por meio das quais o estudante tem o conteúdo ou parte dele apresentados em um canal de TV, em fitas VHS ou em DVDs.

O que importa sempre, então, é verificar se o programa tem qualidade, do mesmo modo que se dá a escolha por uma faculdade presencial. Se o curso é bom e o estudante é empenhado e organizado não há como não aprender.