Educação Ambiental

A sobrevivência do homem e das diversas espécies animais e vegetais do planeta Terra tornou-se uma preocupação. A atual crise ambiental é muito ampla e mobiliza todos os setores: científicos, culturais, econômicos e políticos. A sociedade assiste a um progressivo agravamento de problemas relacionados com a saúde, a qualidade do meio ambiente, a qualidade das relações sociais e valores morais, o caráter da economia e tecnologia e a qualidade das relações na política. Podemos perceber manifestações dessa crise até na nossa vida pessoal.

A Educação Ambiental deve considerar que uma característica de nosso tempo é o fato de enfrentarmos problemas que se entrelaçam numa complexa rede de relações sociais e ecológicas. Sofremos as ameaças de esgotamento de recursos naturais e também inflação e desemprego. A maioria das economias nacionais passa por dificuldades e a desigualdade de renda e riqueza se aprofunda a nível global.

As grandes cidades estão, na maior parte do tempo, cobertas por nuvens de substâncias poluentes que afetam não só os seres humanos, mas também os sistemas ecológicos. A poluição atmosférica e o uso de defensivos agrícolas e adubos químicos usados na lavoura contaminam os alimentos além de chegar aos mananciais e lençóis subterrâneos de água. Aditivos alimentares sintéticos, plásticos e outros produtos químicos contribuem para o envenenamento de nossa vida e as monoculturas restringem o uso da terra. Como consequência o bem-estar e a saúde das populações são ameaçados constantemente.

As emissões de carbono produzidas pela queima das florestas e por grandes rebanhos bovinos, somados com a utilização de combustíveis derivados do petróleo provocam o aquecimento global, o que por sua vez traz enormes desequilíbrios para os ecossistemas, como o degelo de regiões árticas e montanhas nevadas e a alteração do regime de chuvas em diversas regiões do planeta, que sofrem os efeitos de inundações e tempestades de neve e secas em locais nunca afetados antes por esses fenômenos.

Além da deterioração do meio ambiente natural, assistimos a um aumento dos problemas de saúde, com um aumento das doenças crônicas e distúrbios de comportamento, incluindo a dependência de drogas, o que parece indicar uma deterioração paralela do meio ambiente social. O aumento dos crimes violentos e da violência urbana, o grande número de favelas e a influência política do narcotráfico marcam o cotidiano de muitas cidades brasileiras.

Todos esses problemas parecem ser faces diferentes de uma única crise, movidos pela mesma dinâmica. Na verdade, esses problemas são sistêmicos, isto é são problemas  que estão ligados intimamente e são interdependentes. Segundo os estudiosos, a solução só poderá ser encontrada na mudança profunda de nossos valores e ideias, com a conscientização que leve a mudanças nas sociedades humanas de maneira global.

Quando falamos em mudança de mentalidade e valores imediatamente pensamos em educação não é mesmo? Realmente, a educação tem o poder de mudar os hábitos e divulgar soluções para os problemas que enfrentamos, em direção a uma nova consciência dos efeitos que provocamos no nosso meio ambiente, mostrando como somos responsáveis pela qualidade de nossa vida. É preciso cada vez mais reconsiderar as atuais formas de olhar o mundo e pensar. Por esse motivo, nas últimas décadas a Educação Ambiental foi se fortalecendo, pois é a atividade que busca mudar padrões de comportamento e pensamento.

A Educação Ambiental ou Ecológica baseia-se:

l. No conhecimento dos princípios básicos da ecologia;

2. Na importância da complementaridade;

3. Na prática dos valores ecológicos.

Isto quer dizer que a Educação Ambiental é um conjunto de conceitos, valores, percepções e práticas que tem como objetivo a transformação cultural que agora é necessária para a mudança de nossa mentalidade e nossos hábitos. Com os princípios da Educação Ambiental passamos a adotar uma visão de mundo como um sistema vivo. Nossas práticas passam a considerar o respeito e a conservação da natureza, a reutilização dos materiais, a redução e reciclagem do lixo.

Os movimentos sociais, como as ONGs, ou Organizações Não-Governamentais, nacionais e internacionais, como o Greenpeace, a SOS Mata Atlântica e outras, têm sido importantes focos para a difusão de novas atitudes culturais e ecológicas. Existem também projetos de cientistas para a utilização de tecnologias não poluentes e orientações para novos hábitos de consumo. Todos nós interferimos na qualidade do ambiente, desde os indivíduos até governos, meios de comunicação, comunidade científica e grupos de poder econômico.

O objetivo da Educação Ambiental é chegarmos a uma sociedade sustentável, isto é, conseguirmos um desenvolvimento que não destrua as bases de nossa vida, como nosso ar puro e nossa água limpa.

Novas habilidades, novas atitudes e novos comportamentos são conquistados, por crianças e adolescentes, em contato a Educação Ambiental. Através de brincadeiras e atividades interessantes é possível mostrar a importância de novas relações entre humanidade e natureza e melhorar o relacionamento entre seres humanos.

A Educação Ambiental, na maioria dos projetos e programas brasileiros atuais, tem como um de seus principais conceitos o fortalecimento da cidadania, para possibilitar à sociedade a aquisição de conhecimentos, valores e atitudes ecológicos, com a maior participação possível por parte de todos. A Educação Ambiental pode adotar “cartilhas” como material didático, como instrumento de um processo pedagógico popular e transformador da realidade. Elas devem fornecer material para refletirmos sobre questões ambientais, inter-relacionando os temas com problemas diretamente relacionados com o dia a dia do público a que se destina.

Para que a Educação Ambiental consiga atingir seus objetivos deve-se evitar o pessimismo e sentimentos negativos sobre a impossibilidade de se evitar os problemas que são denunciados, estimulando sempre a efetiva participação em reflexões e discussões sobre os problemas ambientais locais e globais.

É preciso não reproduzir preconceitos e estereótipos do tipo racial, étnico, de gênero e de classe, tanto no texto quanto nas ilustrações. É preciso encontrar “um novo jeito de ser” que traga para a humanidade propostas de novas formas de organização e convívio, que levem em conta o equilíbrio, a harmonia e a reciprocidade entre os seres humanos e com as demais espécies da natureza.

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guilherme had written 10 articles for Educação – Guia completo de Ensino no Brasil

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